A história de Caldas do Gerês


 

Façamos uma viagem no tempo a Portugal dos princípios do décimo oitavo século.

Centremos a viagem espacialmente no Norte de Portugal e desçamos a Vilar da Veiga e sua freguesia vizinha, Rio Caldo. Cá está. Um espaço com espaço e sem confusão. Poucas casas, algum comércio. A comunidade é, essencialmente, composta por pastores que utilizam os prados do vale acima para apascentar os seus rebanhos.

A temperatura tem os extremos. Por um lado dias tórridos de Verão devido aos raios refletidos das altas montanhas, das águas termais e também dos incêndios florestais que os naturais costumam atear nos dias de maior calor e que as altas montanhas impedem a renovação de ar e a respetiva ventilação. Por outro lado, no Inverno, a presença do nevoeiro atraído pelos cumes das montanhas sendo encanado pelo vento Norte-Sul do vale das Termas e ainda a presença, sempre constante, de água indo acabar na junção dos rios em Vilar da veiga o que torna, em muitos dias, as manhãs friíssimas.

Ora, a história começa, precisamente, nesses pastores que, nas suas idas e voltas com os rebanhos e nas caçadas que aí realizavam, terão percebido que, na margem esquerda do Rio, do lado Nascente junto à penha por onde, nesse tempo, o rio corria, elevava-se vapores da água o que pressupunha qualquer fenómeno não muito habitual. Tratando de desviar o rio para a base da montanha, encontraram logo diferentes nascentes de água termal quente.

A notícia espalhou-se logo por entre campos e caminhos indo ter a Covide, uma freguesia muito próximo de Vilar.

Aí existia um médico de nome Manoel Ferreira d’Azevedo que começou a aconselhar estas águas termais aos seus doentes. Estávamos no ano de 1699 e como nos doentes surgissem sinais efetivos de melhorias das suas doenças, logo fez com que mais e mais pessoas começassem a afluir àquele local. Este aumento de pessoas teve como consequência a abertura de mais poços e construção de cabanas para as protegeram das incúrias do tempo.

A notícia destes efeitos fenomenais chegaram aos ouvidos de D. João de Sousa, na altura Governador de armas da província, que logo mandou abrir um caminho para os cavalos que ali conduziam os doentes. À medida que iam aumentando os doentes que ali iam tratar das suas doenças, logo foram aumentando o número de poços e de barracas.

Assim se mantiveram durante cerca de trinta anos.

Por volta de 1730 vendo os habitantes o número cada vez maior de pessoas que ali acorriam e a cada vez mais evidente falta de acomodações logo pediram ao Rei, D. João V que olhasse para aquele novo e útil estabelecimento termal.

Logo o Rei aceitou a pertinência deste pedido e decidiu investir uma grande soma a fim de construir uma ponte sobre o rio Cávado as casas dos banhos, o Hospital, uma Igreja e casas de residência para o Capelão e outra para Professor clínico diretor das Caldas.

As casas dos banhos que foram construídas eram quadrangulares, terminadas em pirâmide, todas iguais, feitas em cantaria. Eram seis, porque havia seis nascentes, e cada uma tinha o seu nome: 1.ª Forte; 2.ª Contraforte; 3.ª Terceiro; 4.ª Figueira; 5.ª Fígado e 6.ª Bica.

Da igreja, que o rei mandou construir, ficou reduzida a Capela com capela-mor e um pequeno corpo. Esse corpo continha 14 sepulturas. Colocaram essa capela ao culto e veneração dos fiéis a imagem de Santa Eufémia por, segundo reza a história, ter sofrido martírio próximo desse local.

Percebeu-se que esta capela era muito pequena em determinadas ocasiões do ano designadamente nas alturas de maior ocorrência de termalistas. Foi construída com direção Norte-sul ao contrário daquilo que era normal acontecer, isto é, Nascente-Poente.

Por volta de 1885 a sacristia, que formava um corpo saído do resto da igreja, foi cortada e mudada para a outra face, com o objetivo de dar passagem à atual Avenida das Termas.

Nada existe hoje já desta capela que foi destruída em 1934 por conveniência urbanística e por ser realmente pequena para aquela cada vez mais crescente população. Em seu lugar está atualmente uma nova igreja, mandada construir nesse ano pela Empresa das Águas, maior mas baseada na traça da capela original. Foi inaugurada em 19 de Agosto de 1934 e contou, na sua inauguração com a presença das mais altas individualidades da altura.