Pitões, mosteiro e ribeiro do Campesinho...


 

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Outras leituras...

A Geologia do Trilho Pedestre de Pitões da Júnias (PNPG) - Guia de Campo - Rosa Ínsua Pereira - Universidade do Minho - 2002


 

 

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          Esta caminhada é, de facto, espetacular e pode ser feita em dois dias. No entanto este percurso está previsto para um dia, embora se torne bastante cansativo. Aqui vai.

 

Siga a E.N. 103 até à barragem da Venda Nova. Atravesse a barragem e, no primeiro cruzamento, vire à direita. Está na E.N. 308. Passe ao lado da barragem da Paradela e siga até Covelães. Aí vire para a esquerda, seguindo as placas que o levarão até Pitões das Júnias.

 

Pode levar o carro mesmo junto ao cemitério de Pitões das Júnias e lá deixá-lo. Se tiver um todo o terreno, leve-o até mais abaixo, a um largo feito em terra batida e muita lama.

 

Aqui, prepare a merenda, o calçado e os agasalhos pois vai descobrir um fascinante mundo natural ímpar.

 

Desça, então, por um caminho à esquerda que o levará diretamente ao mosteiro de St.ª Maria das Júnias. Este, localiza-se na margem direita do ribeiro de Campesinho, no ponto onde o planalto da Mourela se encontra com a serra do Gerês. Todo o edifício foi construído com materiais graníticos de origem Local.

 

Vá apreciando o enquadramento do mosteiro com a área circundante.

 

Chegado lá, entre na igreja (única parte ainda intacta). Observe, sem mexer.

 

De planta retangular, possui uma capela-mor a uma cota inferior e mais estreita. No interior da igreja identifica-se um Retábulo-mor de estilo barroco. O pavimento é igualmente em lajes de granito e a cobertura do telhado é constituída por duas águas.

 

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Lá dentro respira-se um ar medieval, empoeirado mas fresco, calafriando a medula dos ossos pela ausência das pessoas que aí pertenceram. Sentimento agradável mas assustador. Em cima dos altares estão os santos da devoção monástica esperando pela aurora dos tempos.

 

Na fachada principal existe um campanário de dupla ventana, ladeado por dois pináculos e encimado por uma cruz e um relógio de sol datado de 1777.

 

torre

 

De saída do templo, percorra as ruínas do mosteiro, tendo sempre presente que esse lugar foi habitado, durante muito tempo, por monges. Assista ao desenrolar de vida monástica, vislumbrando objetos diáfanos deambulando por entre os claustros, ora na sala de jantar ora na cozinha ou nas celas.

 

Falando em objetos diáfanos, porque não para em frente ao portão do cemitério e experimenta fazer uma leitura atenta das placas póstumas colocadas na pedra fria que encima as sepulturas dos monges?

 

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Acalme-se. Olhe à sua volta. Está num espaço assombroso mas delicioso, cheio de tranquilidade e de vida.

 

Os monges cultivavam os seus próprios alimentos nos campos junto ao mosteiro e faziam o pão com o centeio cultivado e moído no moinho que fica depois da ponte de madeira, à esquerda.

 

Faça-lhe uma visita. Ouça o silêncio cortado aqui e acolá pelo barulho da leva de água que corre em direção ao precipício.

 

Já que está na margem esquerda do ribeiro de Campesinho, que tem origem na junção de vários regueiros (corgas), como a corga da Má e a da Mourela, desça pela dita margem, passando por terra e água até encontrar, do lado oposto, o canal de rega (levada).

 

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Siga a levada.

 

Poucos metros depois, encontra, à sua esquerda, um caminho que o levará até ao promontório da parte de cima das cascatas. As marmitas estão a seus pés, provocadas por séculos de erosão, da areia e pedras rolando ribeiro abaixo, produzindo poças e quedas, lagoas e pias. Cuidado: não se deixe levar pela embriaguez da beleza, do barulho ensurdecedor das cascatas e pelo ar etéreo que o circunda: apetece voar…

 

Ganhe fôlego e pense em Frei Luís de Sousa [Vida do Arcebispo, 1619] "Terras que chamam de Barroso têm um sítio tão intratável de serras e penedias, quase sempre cobertas de neve, de picos que se vão às nuvens, de brenhas tenebrosas, de vales profundíssimos e passos perigosos que mais parecem moradas de feras que de homens capazes de razão e juízo. E, contudo, são muitas as igrejas e muito em número o povo que se cria por aquelas matas..."

 

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Volte à levada e siga-a até aos campos, ladeados por carvalhos e castanheiros que no outono tomam uma cor castanha entrecortada pelo vermelho vivo.

 

Siga o caminho entre campos até ao fundo, junto do ribeiro. Percorra a linha de água até à parte final da queda de água com cuidado para não escorregar e tendo em atenção o barulho ensurdecedor que se faz sentir.

 

O caminho de regresso faz-se de novo pelo caminho entre campos até à levada e, daí, até ao cemitério da freguesia de Pitões das Júnias.