Poço Azul: o experiente...


 

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No WIKILoc...

 

  

Hoje o dia estava quente. Muito quente. Decidimos ir ao Poço Azul, agora já revelado. Para variar o percurso, pensámos ir por Fafião. Assim pensámos, assim fizemos.

 

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Chegada a Fafião...

 

Rua.

 

Chegámos ao Fafião por volta das 10:00H. Fomos, desta vez, ao café "Fojo do Lobo" onde iniciámos o dia com café e meio bagaço que nisto de caminhar temos de parecer homens de barba rija.

 

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Porta em Fafião.

 

O lavadouro público.

 

Quando nos metemos ao caminho, ainda de carro, percorremos as ruas estreitas de Fafião encarando ainda o palco montado para as rijas festas de Santiago (25 de julho). Antes de aí chegados, abrandámos o carro cumprimentando uma velhinha que lavava a roupa no tanque comunitário. À nossa pergunta de se por ali íamos bem para ir ao Poço Azul, ela respondeu um enigmático "... Só para pessoa experiente..."

 

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A velhinha...

 

É ali.

 

O meu cérebro é complicado. Veio-me logo à ideia um professor que tive no Liceu D. Manuel nos idos anos de oitenta que, sendo provocado desta maneira por um aluno respondeu em grego, decompondo a palavra: ex-peri-ente - ex significa "para fora"; per é um radical cujo significado é "à volta de" e ente pode ter dois significados: ente como conhecimento máximo e perfeito ou então, para os mais religiosos, pode significar Deus como entidade máxima desse mesmo conhecimento. Dizia então esse professor que experiente é todo aquele que, visualizando o exterior dos objetos, vendo tudo aquilo que nos é dado observar por esse facto, com o processamento do seu cérebro, chega ao conhecimento.

Estávamos safos.

 

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A subida inicial. Muita preparação física...

 

Carro estacionado.

 

Já havíamos andado tanto naquela serra que esse conhecimento tínhamos nós.

 

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A ponte da pigarreira.

 

Que saudades dos pregos à vista...

 

Seguimos caminho e, parando o carro do lado de cá da ponte da Pigarreira, preparámo-nos para a caminhada que se avizinhava.

 

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Fragas do rio Conho.

 

Ponte do rio Conho.

 

Na ponte referida, virámos à direita em direção à ponte do rio Conho. Esse mesmo, o rio do Poço Azul. A ponte da Pigarreira fica ligeiramente a jusante da foz do rio Conho no Rio de Fafião (há quem chame a esta parte do rio de rio Toco em homenagem ao monte que fica do lado esquerdo da foz do rio Fafião no rio Cávado).

 

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Primeira paragem, junto à oliveira...

 

Perspectiva do caminho.

 

Subimos de um só fôlego essa escadaria já falada em "Fojo do lobo em Fafião: um hino à coragem!...".

Passámos em cerca de 10 minutos de 361m para 461m. Pessoalmente, não aguentei. Tive de parar e nessa paragem para recuperar açucares e fôlego lembrei-me da velhinha, da palavra dita por ela "experiente" e daquilo que realmente ela queria dizer: Provavelmente não se queria referir a um indivíduo com experiência e conhecimentos da serra, pois nisso já vão vinte e sete anos..., mas sim a indivíduos com conhecimento da sua condição física: ao ver-nos passar num carro moderno, de cidade, ter-se-á apercebido logo que a condição física dos ocupantes não estaria pelo melhor, para aquele início abrupto do percurso. Sábias palavras!

 

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Já no alto...

 

Paragem para repor níveis... Ex-peri-ente!

 

Perante esta falha e esta arrogância pessoal perante a serra, decidimos fazer o percurso muito mais pausadamente porque dali para a frente iria piorar. Estávamos a 461m de altitude e tínhamos de subir (sempre a subir) até aos 776m.

 

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Fraga do Conho.

 

Fojo, ao longe.

 

Percorremos sempre o estradão principal apreciando o vale final do rio Conho e as suas escarpas, ao longe o fojo do lobo de Fafião e, sempre espreitando as enormes pontas à nossa frente e lá cima, o nosso destino intermédio. Até assustava. Nós já cansados, sem a tal experiência de que falava a senhora a olhar para o alto...

 

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Sempre a subir.

 

Efeitos na rocha.

 

 

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Caos de blocos: diaclases.

 

Primeiro ponto de água.

 

Apesar de tudo, seguimos caminho. Parámos junto a uma bica de água fresca num entroncamento de caminhos. Depois de nos refrescarmos seguimos viagem sempre pelo estradão principal.

 

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Chã de Touro de Trigo.

 

Monte perto do curral do Pinhô.

 

Passámos pelo Chã de Touro de Trigo onde se apanha a única ligeira descida do percurso até ao curral de Pinhô.

 

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Única descida do percurso, para a poça.

 

Água fonte de vida.

 

Ao fundo dessa descida uma poça de água de um dos pequenos afluentes do rio Conho. Apetecia tomar banho. No entanto, decidimos prosseguir porque a hora estava já adiantada pelo nosso retardar da subida.

 

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Habitat de sapos e cobras de água.

 

Bebedouro natural dos bovinos.

 

Logo a seguir tivemos de abrir uma cancela metálica para prosseguir.

 

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A cancela: evita a passagem do gado.

 

Carvalho com 300 anos.

 

Daqui para a frente foi sempre a subir em ziguezague até chegarmos ao entroncamento com o caminho da Rocalva, já muito perto do curral do Pinhô.

 

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Chegada à encruzilhada da Rocalva.

 

Chega-se da direita...

 

 

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Granito com diaclases.

 

Poça de água perto da encruzilhada.

 

Seguimos o caminho pela esquerda até chegar à casa do relógio, dentro do curral. Aí parámos algum tempo a descansar aproveitando a fonte em pedra que debita água de alta qualidade. Estávamos então a 776m e tínhamos acabado de fazer um percurso sempre a subir impróprio para pessoas cuja experiência física seja fraca, fruto, talvez, do sedentarismo que nos é proporcionado pela cidade.

 

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O curral do Pinhô.

 

A fonte do Pinhô.

 

 

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Entrada da casa do relógio.

 

Lareira dentro da casa do relógio.

 

 

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Pode servir-se... Deixe como estava...

 

A estátua do relógio...

 

 

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Alpendre.

 

Forno para grelhar. Sirva-se... Mantenha...

 

Depois do descanso, seguimos, agora já em caminho conhecido, pelos cedros e, seguindo as mariolas, até aos 836m. Pudemos apreciar, do outro lado da margem, o caminho depois da ponte de Servas, até à casa do doutor no curro da Tribela. A partir daí foi sempre a descer até ao Poço Azul.

 

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O curral da Tribela ao longe.

 

A subir até aos 836m.

 

O Poço Azul continuava com o seu encanto. Demos os mergulhos da praxe e, depois do almoço na sombra do abrigo, fizemos o caminho de regresso.

 

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Ponte do tronco.

 

Os três irmãos.

 

 

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Milhões de anos depois...

 

Carvalho da rocha.

 

 

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Caucão.

 

Charco do azevinho: mude de margem.

 

 

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Abrigo do Poço.

 

Exemplar de azevinho selvagem.

 

 

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O Poço...

 

Profundidade: 7 metros.

 

Este caminho tem uma vantagem (no meio de tantas desvantagens): é que a volta é praticamente sempre a descer e, como se costuma dizer, "a descer, todos os santos ajudam...".

 

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O regresso.

 

Avenida dos cedros.

 

Na descida, depois do curral do Pinhô, tivemos a oportunidade de apreciar melhor toda a paisagem magnífica que nos rodeava. E que paisagem!

 

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Fafião ao longe.

 

A descer todos os santos ajudam...

 

Apesar disso, podemos dizer que este percurso não é recomendado para pessoas com pouca preparação física (a tal experiência, mas física).

 

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Lá ao longe, o fojo.

 

Regresso à foz do Conho.