Vilarinho da Furna: viagem holística...


Outras perspetivas...

http://www.homemaomar.com/index.php?section=72

http://trilhosdolobo.blogspot.com/2009/03/vilarinho-da-furna-era-um-lugar-da.html

http://faustinovieira.blogspot.com/2009/02/vilarinho-das-furnas.html

http://trilhos.wordpress.com/2007/09/10/vilarinho-da-furna-a-aldeia-afundada/

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Ver, também... 

Museu de Vilarinho da Furnas


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No WIKILoc...

 

 

 

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Vilarinho da Furna, ao longe...    ...   

Inauguração da barragem...

 

 

Ir a Vilarinho da Furna é, por si só, uma viagem que nos completa como um todo e totalmente. Partilhamos, com o abraço da serra e da água, círculos de tempo feitos da totalidade da existência humana. Somo penetrados neste ambiente holístico (holós=total, universal) onde o nosso olhar contempla o efémero, os nossos ouvidos escutam silêncio da rocha moldada, a nossa boca torna-se incapaz de soar, o nosso nariz sente o leve aroma da vida a cada virar, a cada erguer, a cada fechar.

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A barragem.    A albufeira.   

Torre.

 

 

Vilarinho da Furna situava-se na freguesia de São João do Campo, no concelho de Terras de Bouro. Em 1970, devido à construção da barragem de Vilarinho das furnas e respetivo enchimento da albufeira, esta aldeia deixou de existir.

 

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O rio Homem.    Ladeando o rio.   

Aproveitamento.

 

Interessante será perceber, antes de mais, a sua possível origem. 

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Pontão.    ...   

... há sempre a bonança.

 

A origem de Vilarinho remonta, segundo alguns autores, a perto do ano 75 d.c. aquando da construção da estrada romana que lhe passava ao largo. Pelo menos é possível provar a existência dos romanos na aldeia pelos acessos primitivos de travessia do rio (três pontes romanas) e duas vias calcetadas que, pelo lado sul, lhe davam acesso.

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A separação é terrível...    A seguir ao nascimento...   

Avista Vilarinho.

 

Aquando da sua extinção, o aglomerado populacional era composto por um conjunto de casas feitas em granito, abundante na região, construídas sem ordem provocando nos seus intervalos, ruelas sinuosas.

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Margem da albufeira.    Excecional...   

Enquadramento paisagístico.

 

Como de um modo geral no Minho, as casas de Vilarinho eram compostas de dois pisos: o piso térreo servia para guardar o gado e para recolher as alfaias agrícolas. O andar superior servia de habitação.

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... da margem.    Descida.   

Fantasmagórico!

 

Vilarinho era conhecida pelo regime comunitário que funcionava autonomamente das leis gerais e nacionais. Quem as elaborava e as fazia respeitar era uma junta de seis elementos dirigida por um zelador. Essa junta era constituída pelos chefes de família eleitos onde o homem era preponderante. As mulheres apenas podiam ter assento na junta se fossem viúvas ou se o marido tivesse imigrado. No entanto, apenas o homem podia ser zelador. O zelador era, então, um homem casado. De seis em seis meses havia uma reunião para escolher os seis e substituir o zelador.

 

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Vilarinho antes da barragem.    As ovelhas da comunidade para o pasto.   

A junta e o zelador.

 

Relativamente ao funcionamento da junta, às quintas-feiras havia sempre uma reunião, convocada pelo zelador que, para o efeito, tocava uma trombeta (corno de boi) ao nascer do sol. Nestas reuniões estabelecia-se os trabalhos a realizar e as multas a pagar. As decisões eram tomadas por maioria e o zelador tinha voto de qualidade.

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... habitavam a aldeia...    O corno de boi chamando...   

Ao nascer do sol.

 

Na altura da sua extinção, em outubro de 1970, habitavam a aldeia cerca de 250 pessoas em 57 famílias.

 

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Alegria!    Os campos.   

Dois pisos...

 

Aqui está um ótimo passeio para a família.

 

Seguindo pelo S. Bento da Porta Aberta (onde pode fazer as suas promessas ao santo para que faça desaparecer os cravos das mãos oferecendo os cravos - flores) e passando pelo Campo do Gerês, chega ao entroncamento que leva ou através da estrada florestal até à Portela do Homem, virando à direita, (caminho que pode ser feito a pé, de bicicleta ou automóvel [exceto no verão que tem de ser sempre a andar] e que se constitui como um excelente passeio de fim de semana com passagem por escarpas, rios, floresta densa, pequenos lagos artificiais e naturais e tendo como companhia do lado esquerdo, a albufeira da barragem do rio Homem [Vilarinho da Furna]) ou até à barragem de Vilarinho da Furna, à esquerda. Deve optar, neste circuito, virar à esquerda, tomando a estrada de alcatrão que o encaminhará à aventura.

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...    ...   

...

 

Passados alguns minutos, chega à barragem. Esta barragem foi inaugurada 21 de maio de 1972 e constitui um aproveitamento da bacia hidrográfica do rio Homem. A barragem não é possuidora de central geradora elétrica sendo apenas uma represa de água que é depois encanada e enviada para a barragem da Caniçada através de larguíssimos tubos. Podem-se ver esses tubos e respetiva central quando se vem na estrada que liga Vilar da Veiga às Termas do Gerês. Curioso é que depois de utilizada a água volta a ser bombeada para a albufeira da barragem de Vilarinho das Furnas proporcionando, à saída dos tubos que as trouxeram de volta, cascatas de grande aparato e beleza.

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Escadas para a cozinha...    ...   

...

 

Bom, deixe aqui o seu automóvel e prepare-se para o caminho dos sentidos, o caminho para a totalidade... Atravesse a barragem, admirando a paisagem magnífica que a absorve, e vire à direita no fim da mesma. Siga o caminho, a estrada de terra batida, ladeando sempre o rio, agora na outra margem. Ao chegar ao entroncamento, vire à direita (se virar à esquerda vai ter à entrada do tubo que traz a água da albufeira da barragem da Caniçada, conforme já referi em cima. Cuidado, há um certo perigo nesta opção). Siga sempre o caminho largo e em bom estado que o vai levar diretamente a Vilarinho da Furna. A meio terá oportunidade de passar por cima de um pontão em cimento apreciando o ensurdecedor barulho da cascata artificial conseguida pelo retorno das águas da barragem, vindas da albufeira da Caniçada.

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A loja...    Namorando...   

Caminho.

 

Passados, mais ou menos, três quartos de hora, avista Vilarinho da furna, num espetáculo que tem tanto de excecional, devido ao enquadramento paisagístico, como de fantasmagórico.

Chegando a Vilarinho, tenha em atenção estes três pormenores:

1. Cuidado com as pedras soltas, se a água estiver em baixo. Já apanhámos assim a água, numa das nossas visitas, e as escorregadelas assim como as pedras soltas eram uma constante;

2. Se estiver a albufeira cheia, mergulhe, com óculos, mas cuidado com os fundões. É extremamente perigoso, mas muito bonito. Rapidamente perde o pé e o fundo transforma-se num buraco escuro e sombrio, que faz arrepiar os mais destemidos. As ruínas tornam-se fantasmagóricas. De inverno, só de fato de mergulho;

3. Lembre-se que esta povoação era habitada e que as pessoas foram desalojadas em circunstâncias especiais e dramáticas. Tenha, por isso, respeito para com as pessoas que durante séculos aqui habitaram e que aqui mantêm as suas memórias.

Em relação a este respeito e à dor que estas gentes terão sentido aqui fica o poema de Miguel Torga que retrata o modo de vida simples do povo e a forma como o sonho acabou:

 

Requiem

Viam a luz nas palhas de um curral,

Criavam-se na serra a guardar gado.

À rabiça do arado,

A perseguir a sombra nas lavras,

aprendiam a ler

O alfabeto do suor honrado.

Até que se cansavam

De tudo o que sabiam,

E, gratos, recebiam

Sete palmos de paz num cemitério

E visitas e flores no dia de finados.

Mas, de repente, um muro de cimento

Interrompeu o canto

De um rio que corria

Nos ouvidos de todos.

E um Letes de silêncio represado

Cobre de esquecimento

Esse mundo sagrado

Onde a vida era um rito demorado

E a morte um segundo nascimento.

Miguel Torga

Barragem de Vilarinho da Furna

18 de julho de 1976

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Cozinha.    Arado.   

Malhando na eira...

 

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...    Paisagem...   

Fim...

 

Fora isto, divirta-se, tome banho (de verão), faça o piquenique da ordem, não se esquecendo que a totalidade é representada pela perfeição, visite os restos dos moinhos e os campos de cultivo. Não estranhe a presença de vacas e de gado caprino. São de uma aldeia próxima.

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Porta.    ...   

...

O regresso é feito pelo mesmo caminho.

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Quadro...    Ramada.   

...

 

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Moinho.    Mó...   

Restos de outrora...

 

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Museu...    Espreguiçadeira!   

Quarto.